Falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e ganho rápido de peso podem indicar a doença, que está entre as principais causas de internação por problemas cardiovasculares no Brasil
A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) chama a atenção para uma doença silenciosa, progressiva e cada vez mais frequente no Brasil. Estima-se que a insuficiência cardíaca acometa cerca de 1% da população adulta brasileira, com uma incidência anual de aproximadamente 199 novos casos para cada 100 mil habitantes.
O avanço da doença acompanha o envelhecimento da população. Dados do estudo Global Burden of Disease (GBD) mostram que o número de brasileiros vivendo com insuficiência cardíaca saltou de cerca de 670 mil, em 1990, para quase 1,7 milhão em 2017. A condição é mais comum em pessoas com 70 anos ou mais e afeta com maior frequência as mulheres.
Segundo a SBC, os principais sintomas da insuficiência cardíaca podem surgir de forma isolada ou combinada e tendem a piorar com a progressão da doença. Os mais frequentes são:
- Falta de ar, principalmente durante esforços ou ao deitar;
- Cansaço excessivo e dificuldade para realizar atividades do dia a dia;
- Redução da tolerância ao exercício;
- Inchaço nas pernas, tornozelos e pés;
- Ganho rápido de peso por retenção de líquidos;
- Tosse persistente, especialmente à noite;
- Palpitações;
- Perda de apetite e sensação de estômago cheio após as refeições.
Para o diagnóstico, o médico aponta que nenhum sinal ou sintoma, isoladamente, é suficiente para confirmar a condição. Por isso, é importante que a avaliação médica considere o conjunto de manifestações apresentadas pelo paciente, o histórico clínico, o exame físico e, quando necessário, exames complementares.
Muitas pessoas atribuem sintomas como falta de ar, cansaço ou inchaço ao envelhecimento ou ao sedentarismo e acabam adiando a procura por atendimento. A Sociedade ressalta que quanto mais cedo a doença é reconhecida, maiores são as chances de iniciar o tratamento adequado e evitar complicações, como internações e piora da função cardíaca.
Principais causas de hospitalização
Além do impacto na qualidade de vida, a insuficiência cardíaca está entre as principais causas de hospitalização e de morte por doenças cardiovasculares, especialmente entre idosos. Entre 2008 e 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 3,4 milhões de internações relacionadas à doença, responsáveis por mais de um terço das admissões clínicas por condições cardiovasculares.
Outro desafio é a insuficiência cardíaca aguda, descompensação da doença que frequentemente exige internação. A maioria desses episódios ocorre em pacientes que já convivem com insuficiência cardíaca crônica e pode ser desencadeada por infecções, arritmias, hipertensão, infarto, miocardite ou pela interrupção do tratamento. No Brasil, a baixa adesão terapêutica responde por cerca de 25% dos casos de descompensação, aumentando o risco de reinternações e óbitos.
Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca 2026
Esses dados e avanços científicos mais recentes sobre a insuficiência cardíaca estão consolidados na nova Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca, que será lançada em outubro durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia. O evento, que ocorre no Rio de Janeiro, será realizado em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia, em parceria com a World Heart Federation.
O documento reunirá as evidências mais atuais para orientar a prática clínica e trará, entre outras atualizações, recomendações sobre o diagnóstico e o tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp), subtipo que representa cerca de 50% dos casos e tem apresentado aumento de prevalência. Nessa condição, o paciente apresenta sinais e sintomas típicos da insuficiência cardíaca, embora a capacidade de bombeamento do coração permaneça preservada, o que torna o diagnóstico mais desafiador. A diretriz também incorporará a Definição Universal de Insuficiência Cardíaca, alinhando as recomendações brasileiras aos principais consensos internacionais.


