Two children enjoying a sunny day at the beach with their parents in the background
Saúde e bem-estar

Férias escolares exigem atenção para prevenir acidentes com crianças

Quedas, queimaduras, intoxicações e afogamentos estão entre os principais riscos dentro e fora de casa

As férias escolares aumentam o tempo que as crianças passam em casa, em áreas de lazer e durante viagens. Com a mudança na rotina familiar, os responsáveis devem redobrar os cuidados para prevenir quedas, queimaduras, afogamentos, intoxicações e outros acidentes comuns na infância.

Segundo a médica Talita Lodi Holtel, coordenadora da unidade de internação pediátrica e do pronto-socorro infantil do Hospital e Maternidade Sepaco, grande parte dos acidentes envolvendo crianças e adolescentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção.

Quedas estão entre as ocorrências mais frequentes, principalmente entre bebês e crianças pequenas. Ferimentos provocados por objetos cortantes, mordidas de animais, queimaduras e ingestão acidental de produtos de limpeza, medicamentos ou pequenos objetos também exigem atenção.

“As quedas são, sem dúvida, o tipo de acidente mais comum. Também observamos muitos ferimentos causados por objetos cortantes, mordeduras de animais e ingestão acidental de produtos de limpeza ou medicamentos, que devem permanecer fora do alcance das crianças”, afirma a pediatra.

Em caso de suspeita de intoxicação, a orientação é não provocar vômito e procurar imediatamente um serviço de saúde. Dependendo da substância ingerida, o vômito pode causar novas lesões no esôfago e na boca.

Como prevenir acidentes domésticos com crianças

A supervisão de um adulto e a adaptação dos ambientes são fundamentais para reduzir os riscos. Entre os principais cuidados estão:

  • instalar telas ou grades de proteção em janelas, varandas e escadas, incluindo janelas basculantes;
  • manter móveis, camas e mesas afastados das janelas;
  • acompanhar as crianças durante o banho e evitar deixá-las sozinhas em ambientes molhados;
  • manter os cabos das panelas voltados para dentro do fogão;
  • guardar medicamentos e produtos de limpeza em locais altos, trancados e fora da vista das crianças;
  • conservar produtos de limpeza nas embalagens originais e nunca utilizar garrafas de bebidas para armazená-los;
  • não deixar bebês dormirem sozinhos em sofás, poltronas ou camas sem proteção adequada;
  • manter moedas, peças de brinquedos, pilhas, tampas e outros objetos pequenos fora do alcance;
  • esvaziar baldes, bacias, banheiras e outros recipientes após o uso.

Objetos pequenos representam risco de engasgo e sufocação. Como referência, itens que passam pelo interior de um rolo de papel higiênico devem ser mantidos longe de bebês e crianças pequenas.

Piscinas exigem supervisão constante

Durante as férias, piscinas, praias e outros ambientes com água demandam vigilância permanente. Crianças nunca devem permanecer sozinhas nesses locais, mesmo que saibam nadar ou estejam usando boias.

Piscinas residenciais devem contar com barreiras físicas, como cercas e portões com travas. Durante a supervisão, o adulto precisa permanecer próximo e evitar distrações, como o uso do celular.

O afogamento pode acontecer de forma rápida e silenciosa, inclusive em pequenas quantidades de água. Por isso, baldes, banheiras e piscinas infláveis devem ser esvaziados imediatamente após o uso.

Proteção contra o sol e os mosquitos

A exposição solar também exige cuidados. O protetor deve ser apropriado para a idade da criança e ter fator de proteção solar de, no mínimo, 30. A aplicação precisa ser renovada conforme as instruções do fabricante, especialmente depois de entrar na água ou transpirar.

Chapéus, roupas com proteção ultravioleta, óculos escuros e protetor labial ajudam a complementar a proteção. Sempre que possível, deve-se evitar a exposição direta ao sol nos horários de maior intensidade da radiação.

Para prevenir picadas de mosquitos, os responsáveis devem utilizar repelentes autorizados para a faixa etária da criança e seguir as orientações presentes no rótulo. Roupas que cubram braços e pernas e telas nas janelas também podem ajudar.

Viagens com crianças pedem planejamento

Antes de viajar, a família deve verificar se a vacinação da criança está atualizada e pesquisar se o destino exige algum cuidado específico de saúde. A avaliação do pediatra pode ser necessária, especialmente em viagens internacionais ou para regiões com riscos epidemiológicos particulares.

Durante os deslocamentos, crianças devem utilizar bebê-conforto, cadeirinha ou assento de elevação adequado à idade, ao peso e à altura, mesmo em trajetos curtos.

A pediatra também recomenda atenção à procedência da água e dos alimentos. Quando não houver garantia de potabilidade, a família deve consumir água mineral com embalagem lacrada e utilizar água segura no preparo de alimentos e na higienização de utensílios infantis.

Medicamentos só devem ser incluídos na bagagem com orientação do profissional que acompanha a criança. A automedicação pode mascarar sintomas, provocar reações adversas e dificultar o diagnóstico.

Com planejamento, supervisão constante e ambientes mais seguros, é possível reduzir os riscos e aproveitar as férias escolares com mais tranquilidade.