Especialista alerta para impactos do inverno na saúde ocupacional e destaca a importância de medidas preventivas para proteger trabalhadores expostos ao frio
As baixas temperaturas registradas durante o inverno exigem atenção redobrada à saúde e à segurança dos trabalhadores. A exposição prolongada ao frio pode comprometer a capacidade física, reduzir reflexos e aumentar o risco de acidentes, principalmente entre profissionais que atuam na construção civil, logística, transporte, agronegócio, limpeza urbana e operações em câmaras frias.
Além do desconforto térmico, as baixas temperaturas podem provocar rigidez muscular, fadiga, diminuição da sensibilidade nas extremidades e lentidão nos reflexos. A exposição também pode contribuir para o agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares, dependendo das condições individuais e do ambiente de trabalho.
Esses fatores podem interferir diretamente na execução das atividades e aumentar a probabilidade de acidentes.
Frio pode comprometer movimentos e reflexos no trabalho
Segundo Rodrigo Soravassi, engenheiro de Segurança do Trabalho da Trabt, a proteção contra o frio deve ir além do uso de agasalhos comuns. “A estratégia mais eficiente é utilizar roupas em camadas. A primeira deve manter a pele seca, a segunda atuar como isolante térmico e a terceira proteger contra o vento e a chuva. Além disso, é fundamental proteger extremidades como cabeça, mãos e pés, utilizando gorros, balaclavas, luvas térmicas e meias adequadas”, explica.
Em ambientes de baixa temperatura, o organismo reduz a circulação sanguínea nas extremidades para preservar a temperatura dos órgãos vitais. Como consequência, o trabalhador pode apresentar menor sensibilidade e redução da força muscular.
“Isso pode comprometer o manuseio de ferramentas, aumentar o risco de quedas de objetos, falhas operacionais e acidentes com máquinas. Além disso, os músculos ficam mais rígidos e os reflexos mais lentos, reduzindo a capacidade de reação diante de situações de perigo”, afirma Soravassi.
Afastamentos reforçam importância da saúde ocupacional
A prevenção ganha relevância diante do volume de afastamentos relacionados a problemas de saúde no Brasil. Dados divulgados pela Previdência Social apontam que o país registrou mais de 4,1 milhões de afastamentos por questões de saúde em 2025.
Excesso de roupas também exige atenção
O uso inadequado de roupas para proteção térmica também pode trazer riscos. Segundo Soravassi, vestir peças em excesso pode provocar superaquecimento e aumento da transpiração. “Muitas pessoas acreditam que quanto mais roupa, melhor. Mas, se o trabalhador superaquecer e transpirar excessivamente, a umidade acumulada pode acelerar a perda de calor corporal e aumentar a vulnerabilidade ao frio. Por isso, a escolha dos EPIs deve ser baseada em critérios técnicos e na avaliação das condições de trabalho”, ressalta.
Por esse motivo, a definição dos equipamentos de proteção individual deve considerar características como temperatura do ambiente, exposição ao vento e à umidade, duração da atividade e esforço físico realizado pelo profissional.
Como prevenir acidentes relacionados ao frio no trabalho
Entre as medidas que podem contribuir para reduzir os riscos relacionados às baixas temperaturas estão a adoção de pausas para recuperação térmica, o rodízio de equipes, o monitoramento das condições ambientais, a capacitação dos profissionais e o fornecimento de equipamentos de proteção adequados a cada atividade.
Para Soravassi, a prevenção beneficia tanto trabalhadores quanto empresas. “Investir em prevenção é uma decisão estratégica. Um trabalhador protegido, confortável e saudável produz mais, comete menos erros e se afasta menos das atividades. Além dos benefícios para a saúde, as empresas reduzem custos com atestados, afastamentos previdenciários, passivos trabalhistas e perda de produtividade”, conclui.


