Especialistas alertam para identificação nos primeiros anos de vida e destacam que intervenção precoce melhora o desenvolvimento infantil
Mais de 2,4 milhões de brasileiros declararam ter transtorno do espectro autista (TEA), segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE — cerca de 1,2% da população. Especialistas alertam que o número pode ser ainda maior devido à subnotificação e reforçam a importância de reconhecer sinais precoces do autismo para iniciar intervenções o quanto antes.
Os primeiros sinais do TEA podem aparecer antes dos dois anos de idade, mas nem sempre são facilmente identificados. A observação atenta de pais, cuidadores e profissionais da educação é essencial para encaminhar a criança para avaliação especializada e reduzir atrasos no desenvolvimento.
Entre os principais sinais de autismo, estão pouco contato visual, atraso na fala, dificuldade de interação social e comportamentos repetitivos. Em bebês, pode haver ausência de sorriso social e pouca resposta ao nome. Já entre 1 e 2 anos, é comum notar dificuldade em apontar objetos e atraso na comunicação. Dos 2 aos 4 anos, podem surgir preferência por brincar sozinho, hipersensibilidade a estímulos e rigidez de rotina.
O caminho até o diagnóstico de autismo ainda é desafiador para muitas famílias. Foi o caso de Simone Pereira Silva, mãe de José Arthur, hoje com 7 anos. Inicialmente, ela associou o atraso na fala do filho ao isolamento durante a pandemia. A suspeita só surgiu aos 3 anos e meio, após a entrada na creche.
“Na creche recomendaram investigar, pois ele não falava e pouco socializava. Começamos atendimentos e buscamos especialistas. Foi um período intenso de muitas dúvidas”, relembra.
A situação também envolveu pressão escolar por um diagnóstico formal, o que aumentou a ansiedade da família. O cenário começou a mudar em 2023, quando Simone iniciou acompanhamento no Hospital e Maternidade Sepaco e conheceu o Centro de Terapia ABA, em Mogi das Cruzes.
Com a abertura do espaço, em junho de 2023, José Arthur iniciou o tratamento e passou a frequentar o centro três vezes por semana. O acompanhamento possibilitou a confirmação do diagnóstico e o início de intervenções específicas.
“Quando recebi o diagnóstico, senti alívio, pois sabia que ele teria suporte para se desenvolver”, afirma a mãe.
Segundo especialistas, a intervenção precoce no autismo é determinante para o desenvolvimento infantil. A coordenadora do Centro de Terapia ABA, Adriana Faria Pereira, destaca que os avanços podem ser significativos mesmo antes da confirmação formal do diagnóstico.
“Monitorar o desenvolvimento permite intervenções mais eficazes. Não é necessário esperar o laudo para iniciar o acompanhamento”, explica.
Entre os ganhos observados em crianças com TEA estão melhora na comunicação, interação social, coordenação motora e participação em atividades lúdicas. O acompanhamento multidisciplinar — com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e especialistas em ABA — aliado ao envolvimento da família, é fundamental para promover autonomia e qualidade de vida.


