Nova solução promete mais estabilidade no alívio da dor crônica e pode transformar o cuidado de pacientes com dor neuropática severa.
A primeira tecnologia de estimulação medular com circuito fechado chega ao Brasil, oferecendo uma alternativa inovadora para pacientes que convivem com dor crônica e não encontram alívio em tratamentos convencionais. A dor persistente — definida como aquela que dura três meses ou mais — está entre as principais causas de incapacidade no mundo, afetando sono, mobilidade, saúde emocional e produtividade. No país, estima-se que o impacto financeiro da condição tenha ultrapassado R$ 3 bilhões nos últimos quatro anos, segundo dados de especialistas¹.
Dor neuropática: uma das formas mais incapacitantes de dor crônica
Entre os diferentes tipos, a dor neuropática se destaca pela gravidade. Afetando de 6,9% a 10% da população mundial², ela ocorre quando doenças ou lesões alteram o funcionamento do sistema nervoso — como em sequelas cirúrgicas, diabetes, neuralgia pós-herpética, esclerose múltipla, AVC, HIV e traumas na medula.
Segundo o neurocirurgião funcional Dr. Murilo Marinho, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, entender a dor crônica como doença é essencial para tratá-la adequadamente. “Se a dor permanece por mais de 90 dias, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser uma condição própria. A dor neuropática é particularmente incapacitante porque o nervo envia sinais errados ao cérebro. Analgésicos comuns não resolvem esse tipo de dor.”
Quando fisioterapia, medicações, bloqueios ou radiofrequência não oferecem alívio suficiente, a estimulação da medula espinhal (SCS) surge como opção terapêutica. No entanto, modelos tradicionais podem variar em intensidade conforme postura e movimento, exigindo ajustes manuais e podendo gerar desconforto.
Inceptiv™: primeiro sistema de estimulação medular com circuito fechado disponível no país
Para superar essa limitação, a Medtronic lança no Brasil o Inceptiv™, o primeiro sistema implantável capaz de medir continuamente a resposta neural do paciente e ajustar automaticamente o estímulo elétrico. A tecnologia interpreta, em tempo real, os potenciais de ação compostos evocados (ECAPs) — indicadores diretos de como o corpo responde à terapia.
Isso significa que o paciente recebe um estímulo constante e estável, independentemente de movimentação ou mudança de posição. “O grande diferencial é que o sistema se adapta sozinho. Isso reduz desconfortos, evita choques indesejáveis e mantém o alívio ao longo do dia”, explica o Dr. Marinho.
Inovações que ampliam conforto, segurança e experiência do paciente
O Inceptiv™ reúne uma série de recursos projetados para tornar a terapia mais eficiente e confortável:
- Terapia DTM™ — forma de onda com evidências robustas para dor crônica axial.
- Design compacto — dispositivo menor, oferecendo mais conforto ao paciente.
- Modo sem parestesia — alívio sem sensação de formigamento.
- Recarga rápida — carga completa em cerca de uma hora.
- Longevidade de até 15 anos — reduz a necessidade de trocas.
- Compatibilidade total com ressonância magnética de corpo inteiro — importante para pacientes com outras condições que exigem monitoramento.
Impacto potencial: autonomia, movimento e qualidade de vida
Para pessoas com dor crônica severa e refratária, uma tecnologia estável e responsiva pode ser decisiva no retorno às atividades diárias.
“O objetivo é devolver autonomia, movimento e qualidade de vida. A dor crônica não precisa ser um destino; existem soluções modernas, seguras e eficazes”, reforça o especialista.
Com a chegada da tecnologia ao país, abre-se uma nova perspectiva terapêutica para pacientes e profissionais que lidam com casos complexos de dor neuropática.
Referências
- Henriques A et al. Pacientes com dor crônica no sistema de saúde suplementar brasileiro. Disponível em: https://jbes.com.br/index.php/jbes/article/view/57
- Posso IP, Palmeira CA, Vieira EB. Epidemiologia da dor neuropática. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/wzqPzvnbYFDD5DThvFXbwBC/?lang=pt


