Closeup of heart and a stethoscope cardiovascular checkup concept
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Fibrilação atrial: arritmia que eleva em até sete vezes o risco de AVC, é tema de consulta pública da ANS 

Iniciativa busca avaliar a inclusão da ablação por cateter de campo pulsado, técnica inovadora e minimamente invasiva para o tratamento da fibrilação atrial paroxística, a arritmia cardíaca mais comum na prática clínica

A fibrilação atrial (FA), arritmia cardíaca mais frequente no mundo1, representa um sério desafio de saúde pública no Brasil. A condição, que torna os batimentos do coração irregulares e acelerados, eleva em até sete vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e está associada a cerca de 30% de todos os casos de AVC isquêmico no país2,3. Com a prevalência aumentando significativamente com a idade, a busca por tratamentos mais seguros e eficazes é uma prioridade4.

Diante deste cenário, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu a Consulta Pública nº 1725, para receber contribuições da sociedade sobre a proposta de inclusão de uma nova tecnologia no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde: a ablação percutânea por cateter de campo pulsado para o tratamento da fibrilação atrial paroxística (quando os episódios de arritmia ocorrem ocasionalmente e revertem espontaneamente).

A iniciativa é um passo fundamental para ampliar o acesso a uma terapia inovadora para uma condição que afeta milhões de brasileiros e impacta profundamente a qualidade de vida. As contribuições podem ser enviadas por pacientes, profissionais de saúde e pela sociedade civil até o dia 02 de junho de 2026.

Mais que um desconforto: uma doença que compromete a qualidade de vida

A fibrilação atrial ocorre quando os sinais elétricos das câmaras superiores do coração (átrios) tremem ou fibrilam, em vez de contrair de forma sincronizada, acelerando os batimentos cardíacos e de forma irregular. Isso impede que o sangue seja bombeado eficientemente para o resto do corpo, causando fraqueza ou cansaço2.

“Muitos pacientes relatam sintomas como palpitações, fadiga e falta de ar, que limitam suas atividades diárias. Outros, no entanto, podem não ter sintomas, o que torna a condição ainda mais perigosa. Mesmo sem sintomas, a fibrilação atrial é uma condição médica séria que exige tratamento para prevenir complicações graves, como o AVC e a insuficiência cardíaca”, explica o Dr. Januário de Pardo Meo, Arritmologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

Quando o tratamento convencional, que envolve medicamentos para controlar o ritmo e a frequência cardíaca, não é suficiente, a ablação por cateter é uma opção consolidada. Esse procedimento, minimamente invasivo, visa isolar as vias elétricas anormais no coração que causam a arritmia6. A ablação por campo pulsado (PFA, na sigla em inglês) surge como a mais recente evolução dessa técnica.

“A grande vantagem dessa tecnologia disruptiva, que utiliza pulsos elétricos de alta energia e curtíssima duração, é a seletividade, pois a energia afeta preferencialmente as células do músculo cardíaco, preservando tecidos vizinhos importantes, como o esôfago e os nervos, o que representa um avanço notável em termos de segurança para o paciente”, detalha o especialista. 

Como participar da Consulta Pública nº 172

A participação da sociedade é crucial para que a ANS tome uma decisão alinhada às necessidades de pacientes e do sistema de saúde. Para contribuir, siga os passos:

  1. Acesse o site da ANS:Consulta Pública nº 1725
  2. Dê sua opinião: Leia o relatório técnico sobre a UAT (Unidade de Análise Técnica) referente à “Ablação percutânea por cateter de campo pulsado” e clique na opção para contribuir. Preencha seus dados, escolha seu perfil (paciente, profissional de saúde, etc.) e escreva sua justificativa, destacando a importância da tecnologia. Ao final, clique em “Enviar contribuição”.

“A contribuição de pacientes e especialistas é essencial neste processo para demonstrar o valor que novas tecnologias, como a ablação por campo pulsado, podem agregar ao tratamento da fibrilação atrial, oferecendo mais segurança e qualidade de vida”, finaliza Dr Januário.

Referências:

  1. Justo FA, Silva AFG. Aspectos epidemiológicos da fibrilação atrial. Rev Med (São Paulo). 2014;93(1):1-13. Disponível em: https://revistas.usp.br/revistadc/pt_BR/article/view/86096
  2. Medtronic. Fibrilação Atrial. Sua Saúde. Disponível em: https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/conditions/atrial-fibrillation-afib.html
  3. Favarato D. A população brasileira apresenta prevalência de fibrilação atrial semelhante à de países com rendas mais altas, e baixo uso de terapia anticoagulante. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8462960/
  4. Marcolino MS, Palhares DMF, Benjamin EJ, Ribeiro AL. Atrial fibrillation: prevalence in a large database of primary care patients in Brazil. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4700731/
  5. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Consulta Pública 172. Disponível em: https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sociedade/consulta-publica-172-ans-recebe-contribuicoes-para-atualizacao-do-rol
  6. Medtronic. Terapias para Fibrilação Atrial. Sobre a ablação por cateter. Disponível em: https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/treatments-therapies/atrial-fibrillation-afib/therapy.html

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