Início de temporada de alta circulação do VSR no Brasil intensifica alerta para adultos 50+ com comorbidades; VSR pode causar até 2,7x mais pneumonias que o vírus da gripe em adultos mais velhos 1,5-7
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite em bebês e crianças pequenas, também representa uma ameaça silenciosa para adultos com 50 anos ou mais com doenças crônicas.8 Evidências mostram que o VSR causa até 2,7 vezes mais pneumonia que o vírus da gripe1 e que 1 em cada 4 adultos mais velhos infectados pode desenvolver a doença.2 Com o início da temporada de alta circulação do vírus no outono, o alerta se intensifica.5-7 Sobretudo porque dados inéditos de uma pesquisa encomendada pela GSK revelam uma significativa lacuna de conhecimento: menos de um terço (31%) dos adultos em risco sabe o que o termo VSR significae 71% dessa população desconhece a existência de uma vacina contra o VSR específica para a sua faixa etária.3
Nos últimos três anos, o VSR foi a principal causa de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil no primeiro semestre, correspondendo a 45,5% dos casos em 20254,5, 43,8% em 20246 e 41,3% dos casos em 2023.7 A pesquisa encomendada pela GSK em oito países, incluindo o Brasil, realizada com adultos acima de 50 anos com diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma e doenças cardiovasculares, tinha como principal objetivo entender o conhecimento dessa população sobre o VSR, suas percepções de risco e atitudes em relação à vacinação.3
Segundo a pesquisa, apesar de a preocupação em contrair o VSR ser maior no Brasil do que globalmente, com 72% reconhecendo um risco maior para infecções respiratórias graves devido sua condição de saúde, apenas 27% dos entrevistados se sentem definitivamente em maior risco de ter infecção grave ou complicações relacionadas por VSR.3
“A chegada do outono inicia um período de alta incidência de doenças respiratórias. O VSR foi a principal causa de infecção respiratória grave no Brasil durante o primeiro semestre nos últimos anos, e tudo indica que esse ano não será diferente. Como pudemos observar pela pesquisa, mesmo com a alta taxa de circulação do vírus, a falta de conhecimento da existência de vacinas direcionadas ao VSR para população adulta constitui um sinal de alerta, sobretudo entre indivíduos com 50 anos ou mais portadores de comorbidades e idosos, uma vez que esse grupo apresenta maior probabilidade de desenvolver quadros clínicos graves e necessitar de hospitalização”5-8, destaca Dra. Lessandra Michelin (CRM 23494-RS), infectologista.
O VSR pode atuar como um “gatilho” para descompensação de doenças crônicas8,9, mas ainda há lacunas graves dessa percepção entre grupos de risco. Segundo a pesquisa, 53% dos pacientes entrevistados com doenças cardíacas desconhecem que o vírus pode ter associação com o aumento de riscos cardíacos graves3, já que um estudo científico mostrou que a infecção por VSR pode aumentar em 3 vezes o risco de hospitalização por infarto nos primeiros sete dias após infecção.10 Já portadores de DPOC enfrentam um risco até 13,4 vezes superior de hospitalização por infecção pelo VSR11, mas 30% dos entrevistados com essa condição desconhecem a ligação direta com o vírus.3 Entre os diabéticos, 38% não estão cientes que o VSR pode causar complicações graves da doença3, apesar do risco de internação ser até 6,4 vezes maior nessa faixa etária investigada que o de uma pessoa sem a doença.11
Além de maior risco de hospitalização, a infecção pode provocar altas taxas de letalidade em pessoas com doenças crônicas.12 Uma análise de 10 anos (2013-2023) no Brasil, mostrou que idosos com comorbidades, infectados pelo VSR, tiveram taxas consideráveis de óbito.12 A taxa média de letalidade foi de 25,9%, variando de 21% em 2013 a 30,7% em 2017.12 Entre os casos, 71,5% apresentavam pelo menos uma condição crônica, sendo doenças cardiovasculares as mais comuns com 64,2%.12
A Dra. Lessandra explica que “com o passar dos anos, o sistema imunológico envelhece, processo chamado de imunossenescência, e perde eficiência no combate a infecções. Em indivíduos com doenças crônicas, o VSR pode descompensar quadros clínicos mesmo que estejam controlados, piorando a condição geral de saúde do paciente, e em alguns casos, podendo até levar à óbito”.11-13
Uma das principais formas de prevenção contra o VSR é a vacinação, especialmente para pessoas com maior risco.14 Mas além da barreira apontada pela falta de conhecimento sobre a existência da vacina, a pesquisa salienta que o diálogo sobre o VSR com profissionais de saúde ainda é superficial: 37% dos não vacinados alegam que “o médico não recomendou” e outros 37% afirmam que “não sabem o suficiente sobre a imunização”.3
Além da vacinação, adotar medidas simples, tais como lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, limpar e desinfetar superfícies de uso frequente, ficar em casa quando apresentar sintomas e evitar contato próximo com pessoas doentes, também podem ser relevantes para prevenção.15
Referências:
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