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ONA

São Paulo registra 87 novos casos de câncer de colo do útero em 2026

Dados recentes reforçam a importância da vacinação contra o HPV e do diagnóstico precoce para conter o avanço da doença no estado

São Paulo já contabiliza 87 novos diagnósticos de câncer de colo do útero em 2026, segundo dados do Painel Oncologia do DATASUS compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Em 2025, foram 2.196 casos no estado. O cenário reforça o alerta neste 26 de março, Dia de Conscientização sobre o Câncer de Colo do Útero, especialmente diante da baixa adesão à vacinação contra o HPV — principal causa da doença.

O papilomavírus humano (HPV), considerado a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais comum no mundo, está presente em 99,7% dos casos de câncer de colo do útero. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse é o terceiro tumor mais frequente entre mulheres no Brasil, com estimativa de 19.310 novos casos em 2026.

Dados nacionais também acendem o alerta: até 15 de março deste ano, o Brasil já havia registrado 682 novos casos da doença. Em 2025, foram 12.753 diagnósticos, enquanto em 2024 o número chegou a 20.406. Para o triênio 2026-2028, o INCA projeta cerca de 19,3 mil novos casos anuais, um aumento de aproximadamente 13% em relação ao período anterior.

HPV: infecção comum e silenciosa

Transmitido principalmente por contato direto durante relações sexuais — vaginal, anal ou oral —, o HPV possui mais de 100 tipos e pode infectar pele e mucosas. Apesar de frequentemente associado às mulheres, o vírus também afeta homens e pode causar outros tipos de câncer, como de pênis, ânus e garganta.

Na maioria dos casos, a infecção é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce. Quando há sinais, podem surgir coceira, ardência, dor durante a relação sexual, além de lesões semelhantes a verrugas. Rouquidão persistente ou dor de garganta também podem estar associadas a infecções em regiões específicas.

O diagnóstico é feito por meio de exames ginecológicos ou urológicos, podendo incluir testes como o PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que identifica o tipo do vírus.

Vacina contra HPV é principal forma de prevenção

A vacinação contra o HPV, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), é uma das estratégias mais eficazes para prevenir o câncer de colo do útero. O esquema padrão prevê duas doses com intervalo de seis meses. Para pessoas imunossuprimidas, como pacientes com HIV ou transplantados, são recomendadas três doses.

O público-alvo inclui meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos e pessoas imunocomprometidas entre 9 e 26 anos. Além da vacina, o uso de preservativo continua sendo uma medida importante de prevenção.

“O principal objetivo da vacinação é gerar imunidade sem que o organismo precise enfrentar a doença. No caso do HPV, isso significa reduzir drasticamente o risco de câncer relacionado ao vírus”, afirma o ginecologista Daniel Buttignol, membro da ONA.

Desinformação ainda limita cobertura vacinal

Apesar da disponibilidade da vacina, a adesão ainda enfrenta desafios. Um estudo da Fundação do Câncer aponta que 37% dos adolescentes desconhecem que a vacina previne o câncer do colo do útero. Entre 36% e 57% acreditam, de forma equivocada, que ela pode prejudicar a saúde.

A pesquisa também mostra que 82% dos jovens pensam que o imunizante protege contra outras ISTs, o que não é correto. Além disso, 22% acreditam que a vacinação pode incentivar o início precoce da vida sexual — um mito já refutado por especialistas.

Diagnóstico precoce aumenta chances de cura

Para especialistas, ampliar o acesso à informação e qualificar a assistência são passos essenciais para reduzir os impactos da doença. Processos de acreditação hospitalar contribuem para padronizar protocolos, agilizar diagnósticos e garantir tratamento em tempo adequado.

“Quando o SUS e os hospitais privados organizam fluxos e qualificam equipes, o diagnóstico do HPV e dos cânceres relacionados acontece mais cedo e o tratamento não atrasa — e, nesse contexto, tempo é vida”, destaca Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da ONA.

A combinação entre vacinação, prevenção e diagnóstico precoce segue como a principal estratégia para reduzir a incidência e a mortalidade por câncer de colo do útero no Brasil.